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27/01/2012 - Estoque elevado de etanol derruba preços na entressafra

O ano de 2012 começou atípico nas usinas brasileiras. Quando o mercado esperava alta nos preços do etanol, eles se encontram, curiosamente, em queda. O que está causando a baixa nos preços do combustível é o elevado volume de reserva.

No dia 1º de janeiro de 2012, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) identificou que o Brasil tem estocado 5,68 milhões litros de etanol anidro e hidratado, mesmo com a significativa quebra da safra 2011/12. No mesmo dia do ano passado, esse valor era 2% menor, 5,57 bilhões de litros. A variação positiva deve-se principalmente à demanda menor do biocombustível, tanto pelo etanol hidratado quanto pelo anidro.

Usado nos veículos flex-fuel, o hidratado teve queda na safra 2011/12. Até 1º de janeiro, foram produzidos 13,73 bilhões de litros, queda de 27,9% ante os 19,05 bilhões do mesmo dia do ano passado.

A oferta menor deste biocombustível teve reflexo direto nos preços ao consumidor. Na média nacional, o biocombustível apresentou elevação de mais 12% durante o ano de 2011. Como compete diretamente com a gasolina, e o derivado do petróleo teve variação menor, 4%, a demanda do etanol retraiu mais de 30% até novembro de 2011, de acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP).

A baixa procura fez com que as usinas escolhessem investir na produção do etanol anidro ou do açúcar. Até 1º de janeiro deste ano, foram 8,39 bilhões de litros de anidro, sendo 3,03 bilhões em estoque. No mesmo dia de 2011, o país havia produzido 7,7 bilhões de litros, 2,37 bilhões em estoque. Esses números são igualmente 27,9% menores.

O anidro tem sua demanda atrelada ao consumo de gasolina, que está em alta. No entanto, com a medida do governo federal que adiantou a redução da mistura do etanol anidro na gasolina de 25% para 20%, a demanda pelo aditivo não acompanhou esse crescimento.

Além disso, a medida foi publicada em agosto do ano passado, mas era esperada para o período de entressafra. Assim, as importações desse combustível que haviam sido contratadas antes da redução na mistura e que não puderam ser canceladas foram estocadas, aumentando ainda mais os volumes estocados.

Os estoques elevados aliados à baixa procura pelas distribuidoras de combustíveis têm mantido os preços do anidro em baixa nas usinas paulistas, principais produtoras nacionais. O indicador do  Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) acumula queda de 9% desde o início de dezembro, que marca o início da entressafra em São Paulo.

Em relação à semana de 17 a 21 de janeiro de 2011, o indicador acumula alta de 2%, menos expressiva do que as altas observadas para o etanol hidratado e também para a gasolina nos postos paulistas.

Hidratação do anidro: uma alternativa adotada

Como opção aos elevados estoques de etanol anidro, algumas usinas adicionam água no etanol anidro a fim de comercializá-lo como hidratado, pois este apresenta maior liquidez no mercado brasileiro.

Essa medida pode contribuir para regularizar os estoques do aditivo e aumentar a oferta do hidratado. De acordo com o Mapa, até 1º de janeiro, eram 3,25 bilhões de litros, 14,8% a menos do que no mesmo dia de 2011, quando o país tinha 3,81 bilhões de litros de etanol hidratado em estoque.

Aumentando a oferta, a expectativa do mercado é de que os preços do etanol hidratado devam cair nas usinas e, consequentemente, ao consumidor brasileiro. No entanto, a adesão pela hidratação do etanol anidro depende da relação de paridade entre os dois produtos, atualmente em 2,8%. Quanto menor esta relação, maior é a atratividade da hidratação.



Fonte: Cepea

Repasse: demora para chegar ao consumidor

Nas usinas paulistas e goianas, a retração na demanda tem provocado queda nos preços do etanol hidratado. De acordo com o indicador semanal do Cepea, nas usinas paulistas a queda acumulada em 2011 é de 2,9%. Comparando com os preços praticados em dezembro, que marca o início da entressafra no Centro-Sul, a queda acumulada já se aproxima dos 9%.

O indicador diário do Cepea – que toma como base as entregas de etanol na refinaria de Paulínia, São Paulo, e que serve de indicador para os futuros do etanol na BM&F Bovespa – acumula queda de 4,8% em 2012. Em relação a dezembro de 2011, a queda supera 11%.

No entanto, as quedas observadas nos preços do etanol entregue pelas usinas não é diretamente repassada aos consumidores. É normal que ocorra certo atraso no repasse dos preços ao consumidor, em torno de 15 dias, mas em alguns casos a queda nem chega a ser repassada, ou repassada em níveis mais baixos.

De acordo com a ANP, em São Paulo, principal produtor e consumidor, o etanol acumulada alta de alta de 0,5% em relação ao início de dezembro. Já nas distribuidoras paulistas, o biocombustível acumulada queda de 1,5% em igual período.



Fonte: ANP/Cepea

Quando se compara os preços praticados ao longo de 2011, percebe-se que este comportamento foi refletido ao longo do ano. Enquanto que os preços do etanol entregue na refinaria de Paulínia teve aumento de 5% no acumulado do ano, aos consumidores foi repassada uma elevação de 14%.

Mesmo considerando que a queda dos preços do hidratado não seja integralmente repassada aos consumidores, é esperada um incremento na demanda pelo biocombustível. Traders consultados pela Informa Economics FNP acreditam que os preços devam cair a fim de reequilibrar os elevados estoques.

No entanto, a retração nos preços dependerá do desempenho da safra 2012/13, prevista para ser um pouco melhor do que a temporada 2011/12; ainda assim, dependente de condições climáticas favoráveis.

O desempenho das exportações também pode influenciar nos preços do etanol no mercado doméstico. Com o fim das restrições tributárias e o aumento da demanda por etanol avançado nos Estados Unidos, algumas usinas e comercializadoras devem dar preferência ao atendimento desse mercado, o que pode evitar quedas significativas dos preços no mercado doméstico.

Fonte: Informa Economics FNP

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