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Informa Economics FNP

23/01/2012 - Apesar de elevado, preço da arroba do boi gordo vai ser menor em 2012

“Se em 2011 a pecuária bovina foi excelente para a indústria e para o produtor, este ano deve ser bom, mas sem alcançar os mesmos índices do anterior”, diz a analista de mercado da Informa Economics, Nadia Alcantara.

Para se ter uma ideia, em 2011, a média de preços da arroba do boi gordo no estado de São Paulo foi de R$ 100,40, 16% acima da média de preços de 2010, quando a arroba, em média, atingiu R$ 86,50. Já para 2012, ainda sem um número definido, a Informa Economics FNP acredita que as média das cotações serão inferiores do que as do ano passado. “Mas ainda sim  as cotações serão elevadas, se consideradas a média histórica”, pondera o diretor técnico da FNP, José Vicente Ferraz.

“Nos meses de safra, principalmente março e abril, a diferença de preços entre 2011 e 2012 deve ser maior, pois a oferta relativa de animais para abate pode aumentar com a recuperação dos rebanhos.



A oferta de animais para abate em 2011 foi restrita. As grandes indústrias frigoríficas, como JBS, Marfrig, Minerva e Brasil Foods, por exemplo, tentaram pressionar para baixo os preços pagos ao produtor, mas tiveram pouco êxito. As empresas de médio e pequeno porte, por sua vez, se mantiveram firmes nas compras de animais para abate, e fizeram o movimento contrário, o de pressionar positivamente as cotações para cima.

Em contrapartida, o cenário para 2012, na avaliação da FNP, é de disponibilidade maior de animais para abate, o que pode dar um pouco mais de “folga” às processadoras. Para a indústria frigorífica, apesar da arroba elevada, o ano deve ser menos negativo do que em 2011. Destaque para a Brasil Foods, que deve ampliar sua atuação no setor de carne bovina, com investimentos, estratégias na área de fornecimento de matéria-prima e implantação de novos modelos de coordenação da cadeia produtiva.

Já para as indústrias maiores e endividadas, o ano requer enxugamento das operações e busca por bons contratos de fornecimento. Isto, no entendimento da FNP, deve ser um problema, já que as redes de varejo, com uma possível desaceleração da economia doméstica, devem ser mais agressivas para garantir suas margens.

As companhias de menor porte podem levar algumas vantagens sobre as indústrias de maior porte, em especial aquelas que têm uma rede bem consolidada de clientes (açougues e supermercados). “Em geral, essas empresas não trabalham com desossa, seus custos são relativamente menores, o que pode garantir margens interessantes”, explica Alcantara. “Além disso, como também trabalham com clientes menores, com menor poder de barganha, podem aplicar melhores ajustes aos preços de seus produtos a prazos de pagamento menores, garantindo também melhor giro da atividade”, continua.

Exportações

A expectativa de embarques de carnes bovinas é boa para 2012. Entretanto, todas as projeções caem por terra se houver uma eventual piora da crise da dívida na zona do euro.

Players importantes no mercado internacional como os Estados Unidos e a Austrália, que sofreram com a seca, tiveram que abater suas matrizes, tornando-os menos competitivos no mercado internacional. Fato este que pode ser uma oportunidade para o Brasil.

Um mercado interessante para o País é o japonês, que paga preços elevados pela tonelada, e, por isso, exige altos níveis de controle sanitário e de qualidade. Porém, este mercado é fechado às importações de carne bovina in natura do Brasil e não existem perspectivas de curto prazo de reversão desse quadro.

Apesar da desaceleração da economia chinesa, Hong Kong e China vêm, desde o ano passado, aumentando a aquisição do produto brasileiro, o que deve continuar em curso ao longo deste ano.

Mercado interno

No mercado interno, o aumento do salário mínimo, que impacta principalmente o consumo das classes C e D, pode estimular ainda mais as vendas de carne bovina neste ano.

Fonte: Informa Economics FNP

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