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EUA vs. China - soja: Aedson Pereira avalia impactos da disputa sobre o processamento e estoques

03/10/2018 - EUA vs. China - soja: Aedson Pereira avalia impactos da disputa sobre o processamento e estoques

Investidores do mercado futuro de soja na Bolsa de Chicago (CBOT) devem começar a semana atentos à demanda pela oleaginosa norte-americana e aos novos desdobramentos da guerra comercial e também ao avanço da colheita nos Estados Unidos, após as chuvas da semana passada. O ritmo de plantio na América do Sul também começa a ser monitorado mais de perto pelos traders - mais Estados saíram do vazio sanitário e o plantio está autorizado. Na sexta-feira, o estoque acima do esperado nos EUA pressionou as cotações. O vencimento novembro caiu 9,50 cents (1,11%) e terminou a US$ 8,4550/bushel. Na semana, o contrato caiu 0,21%.

Os estoques de soja dos Estados Unidos em 1º de setembro de 2018 somavam 438,1 milhões de bushels (11,9 milhões de toneladas), aumento de 45% ante o volume de 301,6 milhões de bushels (8,2 milhões de toneladas) observado um ano antes, segundo dados do relatório trimestral do Departamento de Agricultura do país (USDA). Em 1º junho de 2018, os armazéns do país continham 1,22 bilhão de bushels (33,2 milhões de toneladas). O resultado é superior às estimativas de analistas consultados pelo Wall Street Journal, de 394 milhões de bushels (10,7 milhões de t).

Segundo o analista Aedson Pereira, da IEG FNP, o relatório mostrou que, por mais que os EUA estejam encontrando outros destinos para a soja, que não a China, e que o esmagamento norte-americano esteja acelerado por causa da redução de oferta de farelo argentino, isso não foi suficiente para enxugar os estoques no país sem a demanda chinesa. "A briga entre EUA e China se intensificou em março. Em abril, maio, junho e julho, o país asiático limitou ao máximo as aquisições de soja dos EUA", disse. "Por mais que o processamento de soja pelas indústrias norte-americanas tenha sido recorde, com o nível mais baixo de exportação isso acabou gerando excedente de estoques." O volume estocado acima do previsto fez com que investidores liquidassem posições na sexta-feira.

Pereira ressaltou que a China absorve a maior parte do volume de soja global. "Mesmo que compradores da União Europeia, Ásia e do Oriente Médio concentrem suas aquisições em soja norte-americana, em detrimento da brasileira, esses destinos só representam 35% do mercado global", disse o analista. A disputa entre China e EUA tem causado prejuízos para ambos os lados, de acordo com Pereira. "A queda de braço é gigantesca; vamos ver quem cede à pressão. Produtores norte-americanos amargam prejuízo em função dos baixos preços da soja, por mais que o governo Trump tenha anunciado subsídios para socorrê-los", disse. "Ao mesmo tempo, as indústrias esmagadoras da China têm prejuízos. A soja norte-americana está barata, mas a China não entra nesse mercado."

Segundo Pereira, compradores chineses temem alguma restrição nos EUA ou na própria China, além da tarifação de 25%, que possa atrapalhar o suprimento do produto. "A soja dos EUA continua mais barata do que a do Brasil e da Argentina, mas, por mais que haja um incentivo via preço, há um desestímulo via política. As exportações dos EUA foram prejudicadas pela ausência chinesa das aquisições."

Pereira ressaltou que a nova temporada começa com estoques elevados e que está chegando ao mercado uma safra de 127 milhões de toneladas. Nesta semana, traders também ficarão atentos a quaisquer novidades sobre comércio entre os EUA e a China, bem como a relatos de demanda por soja dos EUA de países como a Argentina - os argentinos estariam adquirindo a oleaginosa norte-americana e vendendo a soja argentina para os chineses. "A China não demonstrou interesse em sentar-se à mesa de negociações com os EUA", disse Mick Hoover, da Maxyield Cooperative, à Dow Jones Newswires, acrescentando que a disputa entre os dois países parece estar se intensificando sem uma direção clara ou cronograma à vista.

O primeiro relatório de intenção de plantio de soja nos Estados Unidos na temporada 2019/20 só deve ser divulgado daqui a alguns meses, mas o secretário de Agricultura do país, Sonny Perdue, acredita que a disputa comercial entre EUA e China vai reduzir a área semeada. No ano que vem, parte da área da oleaginosa deve migrar para milho, beterraba e outras culturas, a menos que os preços se recuperem, disse Perdue durante o Global Food Forum, promovido pelo Wall Street Journal.

Conforme Pereira, da IEG FNP, deve ocorrer uma migração da soja para o milho em 2019/20. "As exportações de milho dos EUA estão em níveis elevados. Com o Brasil e a Argentina fora do páreo devido à produção prejudicada por condições climáticas adversas, os EUA se transformaram em protagonista do fornecimento de milho no mercado internacional", disse. "A gasolina está subindo nos EUA com a alta do petróleo e o crescimento econômico, e a demanda por etanol está aquecida, então a procura por milho para produção do combustível segue firme nos EUA." Segundo o analista, a demanda externa e interna contribuirá para manter preços do milho em níveis "mais rentáveis do que os da soja". Nos EUA, a Informa prevê queda na área de soja de 35,96 milhões para 33,3 milhões de hectares.

De acordo com Pereira, o plantio continua acelerado no Brasil. "A chuva chegou mais cedo na região centro-sul, especialmente para Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso", disse. O Paraná é o grande destaque, com 20% da área plantada, segundo a IEG FNP - o maior volume já plantado em um mês de setembro no Estado. "Os produtores paranaenses estão puxando para cima o ritmo de plantio." Segundo ele, a aceleração da semeadura está ligada às chuvas desde agosto, intercaladas com intervalos de alta luminosidade. "A soja já plantada no Paraná e em Mato Grosso do Sul está apresentando desenvolvimento satisfatório." Ainda conforme o analista, produtores estão aproveitando as condições climáticas favoráveis atuais para tentar proteger parte das lavouras do risco de veranicos em dezembro e janeiro e garantir uma boa área para o milho safrinha.

O mercado também monitora o avanço da colheita nos EUA. Conforme o serviço meteorológico DTN, eram esperadas chuvas no oeste e norte do Meio-Oeste no último fim de semana, que devem prosseguir nesta semana, o que pode atrasar a colheita. Na semana passada, o cinturão já teve períodos de alta umidade. Investidores aguardam o relatório de acompanhamento de safra do USDA para ver qual foi o avanço dos trabalhos de campo. A colheita de soja atingia 14% da área no dia 23 de setembro, ante 8% na média dos cinco anos anteriores.

 

Fonte: IEG FNP e Broadcast Agro

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