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Embargo russo expõe fragilidade da suinocultura brasileira

09/08/2018 - Embargo russo expõe fragilidade da suinocultura brasileira

Em vigor há oito meses, o embargo da Rússia a carnes brasileiras expôs fragilidades da suinocultura brasileira. Praticamente dependente de um único país importador, a indústria de carne suína do país está no vermelho desde fevereiro. Diante das dificuldades operacionais para reduzir os abates, o segmento não tem conseguido ajustar a oferta à demanda.

Se nenhuma notícia positiva vier de Moscou — os exportadores brasileiros alimentaram otimismo com a reabertura do mercado russo no primeiro semestre, mas acabaram frustrados —, a tendência de rentabilidade negativa dificilmente se reverterá. Na terça-feira, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse acreditar que o bloqueio será encerrado este mês.

Ao Valor, um executivo de uma das maiores agroindústrias de carnes do país reconheceu que a dependência russa precisa ser superada. No ano passado, a Rússia foi o destino de 40% do volume de carne suína exportada pelo Brasil e gerou metade do faturamento, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Sem a Rússia, os embarques desabaram, o que afetou também o preço da carne suína no mercado doméstico — a exportação absorve cerca de 15% da produção nacional.

Ao todo, os embarques de carne suína in natura ao exterior somaram 293 mil toneladas entre janeiro e julho, redução de 14,3% ante as 342 mil toneladas de igual período do ano passado, conforme dados da Secex compilados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Na prática, as cerca de 50 mil toneladas que não foram exportadas neste ano — na comparação com 2017 — abasteceram o mercado doméstico, de acordo com o vice-presidente de mercados da ABPA, Ricardo Santin, que ressaltou que a produção de carne foi mantida.

Além da dificuldade de reduzir a oferta em uma cadeia produtiva que tem repercussão de longo alcance, os frigoríficos vêm mantendo o nível de produção porque há a esperança de que Moscou anuncie logo a reabertura. “Uma coisa é um mercado que fechou e não vai mais reabrir. Outra é aquele que fechou e diz que está analisando [a reabertura]”, comparou Santin.

Nesse cenário, diversificar os mercados é a única solução possível para a suinocultura brasileira, disse Santin. Ainda que Rússia reabra o mercado ao produto nacional, no médio prazo o volume a ser destinado aos russos será menor. Há anos, Moscou trabalha para se tornar autossuficiente em carne suína.

Diante disso, China, Coreia do Sul e México aparecem como grandes esperanças para os frigoríficos brasileiros. No caso chinês, os benefícios já são uma realidade. No primeiro semestre, as exportações brasileiras de carne suína à China mais que dobraram em relação ao mesmo período do ano passado, de 25,8 mil toneladas para 69,8 mil, de acordo com a ABPA. Os exportadores também esperam se beneficiar da sobretaxa que Pequim aplicou contra o produto americano como parte da guerra comercial sino americana.

Segundo Santin, a demanda chinesa ajudou a amenizar o baque provocado pelo embargo da Rússia. “Perdi 40% do mercado, mas diminuí apenas 14% do volume exportado. Isso já demonstra que o setor encontrou alternativas”, afirmou, sem deixar de admitir que o preço da carne exportada pelo Brasil foi prejudicado negativamente.

Além da China, a ABPA pretende avançar nas negociações para a abertura do México, aproveitando o momento político mais favorável por causa do conflito comercial do país com os Estados Unidos — os mexicanos se abasteciam sobretudo com carne suína americana.

No caso da Coreia do Sul, que é um dos maiores importadores mundo de carne suína e abriu seu mercado ao produto de Santa Catarina recentemente, os exportadores brasileiros ainda precisam superar a barreira da alta tarifa de importação. Isso pode ocorrer por meio do acordo comercial que Mercosul e a Coreia estão negociando, disse Santin.

 

Fonte: Valor Econômico adaptado pela IEG FNP

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